ERP's, a transformações que se iniciou nos anos 90


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O que os primórdios da implantação dos ERPs ainda ensinam às empresas de hoje?

 

Na década de 1990, os sistemas ERP começaram a se consolidar como a grande aposta tecnológica das grandes corporações industriais. Era um período marcado por pressões competitivas intensas, globalização crescente e pela necessidade urgente de redução de custos, integração interna e ganho de eficiência operacional. Foi nesse contexto que surgiram os primeiros grandes projetos de ERP — caros, longos e organizacionalmente profundos.

 

Uma pesquisa acadêmica realizada no final dessa década analisou detalhadamente processos de decisão, implantação, benefícios e dificuldades desses sistemas em grandes empresas brasileiras e multinacionais. Apesar de refletir uma realidade tecnológica e organizacional de mais de 20 anos atrás, o estudo traz lições surpreendentemente atuais, especialmente quando olhadas sob a ótica das pequenas empresas  .

 

O ERP como resposta a um problema organizacional (e não apenas tecnológico)

Desde sua origem, o ERP nunca foi apenas um software. Ele surgiu como resposta a um problema estrutural: empresas operavam com sistemas isolados, criados por departamento, com dados redundantes, processos fragmentados e baixa visão do todo.

O estudo mostra que os sistemas anteriores ao ERP automatizavam tarefas locais, mas não melhoravam o processo como um todo. Cada área acreditava estar eficiente, enquanto o fluxo global da empresa permanecia lento, caro e ineficiente  .

O ERP surge, então, como uma tentativa de:

  • Integrar áreas e processos
  • Centralizar dados
  • Criar uma “espinha dorsal” operacional
  • Forçar uma visão de empresa como sistema único

 

Esse ponto continua absolutamente atual — especialmente para pequenas empresas, que ainda hoje operam com ilhas de controle: planilhas, sistemas financeiros isolados, controles paralelos e retrabalho constante.

 

Benefícios clássicos do ERP (que continuam válidos)

A pesquisa identificou benefícios recorrentes nas implantações bem-sucedidas, entre eles:

  • Integração das informações em uma base única
  • Redução de retrabalho e erros
  • Padronização de processos
  • Maior controle operacional
  • Visibilidade do negócio como um todo
  • Redução de dependência de pessoas-chave
  • Apoio à tomada de decisão gerencial

 

Esses benefícios não são “coisas de empresa grande”.

Pelo contrário: em pequenas empresas, a falta desses elementos é ainda mais crítica, porque o impacto de erros, retrabalho e decisões mal informadas é proporcionalmente maior.

 

As grandes dificuldades dos primeiros ERPs

O estudo também é muito honesto ao mostrar que os ERP dos anos 90 não eram fáceis:

  • Projetos longos e caros
  • Forte resistência cultural
  • Necessidade de rever processos internos
  • Dependência de consultorias externas
  • Customizações excessivas gerando problemas futuros
  • Falta de preparo gerencial para lidar com a mudança

 

Muitos projetos falharam não por problemas técnicos, mas por subestimar o impacto organizacional do ERP. O sistema carregava modelos de processos “embutidos” — e nem sempre compatíveis com a cultura da empresa.

 

Esse aprendizado é crucial:

ERP não se implanta sem gestão, método e clareza de objetivos.

 

O que muda do passado para hoje

Tecnologicamente, quase tudo mudou:

  • Infraestrutura é muito mais barata
  • Sistemas são mais modulares
  • Interfaces são mais simples
  • Cloud eliminou grande parte da complexidade técnica
  • ERPs ficaram mais acessíveis a pequenas empresas

 

Mas conceitualmente, quase nada mudou.

Os motivos que levaram grandes corporações a adotar ERP nos anos 90 são os mesmos que hoje justificam o ERP em pequenas empresas:

  • Necessidade de controle
  • Crescimento com organização
  • Redução de improviso
  • Padronização mínima para escalar
  • Visão integrada do negócio

 

A diferença é que hoje o ERP pode (e deve) ser mais pragmático, operacional e adaptado à realidade do pequeno empresário, sem o peso e a rigidez dos projetos antigos.

 

Uma leitura antiga, mas uma lição atual

Essa pesquisa retrata um momento histórico específico: Os primórdios da implantação de ERP em grandes corporações industriais.

Mas seus aprendizados vão muito além daquele contexto.

Ela mostra que ERP não é sobre tecnologia, é sobre:

  • Organização
  • Processos
  • Disciplina operacional
  • Clareza de gestão

E isso é exatamente o que falta — ainda hoje — em grande parte das pequenas empresas.

Em outras palavras:

Os ERPs mudaram, ficaram menores, mais simples e mais acessíveis.

Mas os fundamentos organizacionais continuam os mesmos.

 

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